Sobre o respeito na equipe

Hoje eu estava lendo um post, no blog do Vincent Laforetque é um diretor/produtor que já foi diretor de fotografia e fotógrafo. Nele, ele fala sobre como a personalidade de uma pessoa pode diminuir o talento dela dentro (e aos olhos) de uma equipe. Egos inflados, intransigência, relaxo, tudo isso pode acabar com a visão que os outros tem durante um trabalho.
Por conta desse post, me puis a pensar um pouco sobre o assunto e esse é realmente um problema que às vezes parece subestimado dentro da própria fotografia: o respeito que um tem pelo outro durante um trabalho.
A equipe é composta por muitas pessoas. Temos, em centro geralmente, o fotógrafo, que coordena, dirige, dá o andamento das fotos durante um dia de trabalho. Temos os assistentes de fotografia, que ajudam o fotógrafo a concretizar o trabalho dele. Temos o maquiador, que é responsável pela beleza (e às vezes cabelo, caso não haja hairstylist). Temos também o produtor de moda, que às vezes é o próprio cliente. Temos também o(s) modelo(s) e os assistentes de make, hair, produção, etc. E embora exista uma certa hierarquia enquanto estamos em foto — o fotógrafo é o maior responsável –, não existem peças dispensáveis no elenco. Entretanto, muitas vezes por descompasso de alguém, essa hierarquia cai e aí as coisas ficam tensas.

Há algum tempo atrás estava em um trabalho de externa e tudo estava correndo como o planejado (ou quase). Não estávamos no cronograma perfeito mas não estávamos também atrasados o suficiente para que isso fosse preocupante. O problema do dia era a quantidade de fotos e não como elas estavam sendo realizadas.
Fizemos então a parada para o almoço (não almoçamos toda a equipe juntos) e logo em seguida já voltamos ao trabalho. Coisa de meia hora. Pegamos o que seria necessário para a próxima foto e fomos pro lugar. Infelizmente essa foto ficou meio indigesta.
Assim que achamos o local onde seriam as fotos e começamos a clicar, o fotógrafo percebeu que algo não estava exatamente encaixando. Ele sabia o que o cliente queria e estava tentando entregá-lo. Por isso perguntou ao maquiador o que ele achava da maquiagem, se não estava pesada demais para a foto (de fato estava, mas assistente não se mete :P). Entretanto, para a surpresa de todos, o maquiador não entendeu como uma sugestão de trabalho e levou para o lado pessoal. Por um momento os tons se exaltaram, e quase começou um desentendimento. O fotógrafo manteve a calma, mas infelizmente o ego do maquiador falou mais alto e ele continuou com as picuinhas, o que, visivelmente, deixou todo o resto da equipe desconfortáveis com a situação. Tentaram, logo em seguida, contornar a situação, apaziguar os ânimos, mas não havia muito a ser feito. O maquiador voltou pro seu canto e o fotógrafo continuou seu trabalho. Mas, disso tudo, uma coisa me pareceu bem clara: esse maquiador perdeu um parceiro e talvez um cliente por uma atitude mesquinha e impensada.

Muitas vezes, na hora da pressão e da tensão nós acabamos não medindo a exata dimensão dos nosso atos em relação às outras pessoas da equipe, e falar alguma besteira, ou fazer uma crítica pessoal pode quebrar um respeito tênue que existe entre todos ali presentes; no qual todos sabem sua função e (em tese) deveriam ser autoridade nela. Mas, infelizmente, algumas pessoas assumem uma autoridade de uma maneira tão histriônica que acabam não só atrapalhando a vida própria como a vida da equipe toda. E é nessa hora que as coisas acabam ficando bem complicadas.
Respeito é algo que deve existir, sobretudo, em um trabalho de equipe. Se o respeito acaba, acaba a colaboração, e, em um mundo onde é impossível se fazer tudo, acabar com a colaboração acaba consequentemente com o trabalho. Em um trabalho aonde o fotógrafo grita com seu assistente, esse primeiro não deve esperar um assistente que estará ali 100% pra lidar com todos os problemas que aparecerem durante uma sessão de fotos. Assim como se o assistente desrespeitar o fotógrafo, ele pode ter certeza de que estará encurtando sua carreira ao lado daquele fotógrafo. E o mesmo vale pros produtores, modelos e maquiadores. Deve, acima de tudo, existir respeito absoluto entre todos. Acabou isso, acabou o trampo.

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